<br />
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{"id":2823,"date":"2025-08-07T01:21:22","date_gmt":"2025-08-07T04:21:22","guid":{"rendered":"https:\/\/aparecidax.com.br\/index.php\/2025\/08\/07\/moto-cresce-como-opcao-perigosa-para-quem-teve-mobilidade-negada\/"},"modified":"2025-08-07T01:21:22","modified_gmt":"2025-08-07T04:21:22","slug":"moto-cresce-como-opcao-perigosa-para-quem-teve-mobilidade-negada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aparecidax.com.br\/index.php\/2025\/08\/07\/moto-cresce-como-opcao-perigosa-para-quem-teve-mobilidade-negada\/","title":{"rendered":"Moto cresce como op\u00e7\u00e3o perigosa para quem teve mobilidade negada"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div>\n<p>No come\u00e7o de 2024, Laura Maria de Oliveira, de 59 anos, trabalhava como diarista e estava satisfeita por ter conseguido um emprego de carteira assinada como empregada dom\u00e9stica. No dia 1\u00ba de mar\u00e7o, ela saiu de casa de manh\u00e3, em Cascadura, na zona norte do Rio de Janeiro, em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 casa dos patr\u00f5es na Tijuca, tamb\u00e9m na zona norte.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1652913&amp;o=node\" style=\"width:1px; height:1px; display:inline;\"\/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1652913&amp;o=node\" style=\"width:1px; height:1px; display:inline;\"\/><\/p>\n<p><strong>A empregada dom\u00e9stica optou por uma moto de aplicativo para economizar cerca de uma hora no deslocamento<\/strong>, o que costumava ser poss\u00edvel porque os motociclistas cortavam o congestionamento trafegando no meio dos carros. <strong>Naquele dia, entretanto, um autom\u00f3vel trocou de faixa sem dar seta, atingindo a moto que a transportava.<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cEu cheguei a ver o carro fechando a gente e apaguei. A minha sorte \u00e9 que o tr\u00e2nsito estava muito parado e ele n\u00e3o estava em alta velocidade. Mas, antes disso, o motoqueiro estava correndo muito. Eu usei muito esse servi\u00e7o, e, em praticamente todas as vezes, eles corriam muito e ficavam olhando o celular. Um risco muito grande.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-grande_6colunas type-image atom-align-left\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><!-- scald=432483:grande_6colunas {\"additionalClasses\":\"\"} --><br \/>\n            <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/Uo21EOeUMpd3C7-N3HyngcZmbzY=\/463x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2025\/07\/31\/whatsapp_image_2025-07-31_at_16.34.36.jpeg?itok=dxm47Tw_\" alt=\"Rio de Janeiro (RJ), 31\/07\/2025 - Laura Maria de Oliveira mostra ferimentos ap\u00f3s acidente com moto. Foto: Laura Maria de Oliveira\/Arquivo Pessoal\" title=\"Laura Maria de Oliveira\/Arquivo Pessoal\"\/><br \/>\n        <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/Uo21EOeUMpd3C7-N3HyngcZmbzY=\/463x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2025\/07\/31\/whatsapp_image_2025-07-31_at_16.34.36.jpeg?itok=dxm47Tw_\" alt=\"Rio de Janeiro (RJ), 31\/07\/2025 - Laura Maria de Oliveira mostra ferimentos ap\u00f3s acidente com moto. Foto: Laura Maria de Oliveira\/Arquivo Pessoal\" title=\"Laura Maria de Oliveira\/Arquivo Pessoal\"\/><br \/>\n    <!-- END scald=432483 --><\/div>\n<p><h6 class=\"meta\">Laura Maria de Oliveira sofreu acidente de\u00a0moto no in\u00edcio do ano passado &#8211;\u00a0<strong>Foto:\u00a0Laura Maria de Oliveira\/Arquivo Pessoal<\/strong><!--END copyright=432483--><\/h6>\n<\/p>\n<\/div>\n<p>Laura ficou 14 dias internada esperando vaga em cirurgias para tratar di\u00e1fises de \u00famero e clav\u00edcula, e tamb\u00e9m repara\u00e7\u00e3o do nervo radial. Um ano e cinco meses depois, ela vai passar por um terceiro procedimento para retirar a placa inserida no \u00famero, que prejudica os movimentos do seu cotovelo. Mesmo assim, \u00e9 poss\u00edvel que ela n\u00e3o os recupere completamente.<strong> Em acompanhamento no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), ela ainda n\u00e3o conseguiu voltar a trabalhar.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cEstava h\u00e1 v\u00e1rios anos sem um trabalho com carteira assinada e tinha come\u00e7ado h\u00e1 15 dias. E eu ainda ia fazer outro trabalho extra, como diarista. Eu tinha duas rendas. At\u00e9 passar o per\u00edodo de an\u00e1lise do INSS e obter o benef\u00edcio, foi uma espera muito grande. Foi muito complicado\u201d, lembra ela. \u201cPra mim, n\u00e3o existe mais esse transporte. Eu tenho um filho que tem moto, e nem com o meu filho eu ando mais. N\u00e3o quero mais passar por isso na minha vida.\u201d<\/p>\n<p>&gt;&gt; Siga o canal da <strong>Ag\u00eancia Brasil <\/strong>no WhatsApp<\/p>\n<h2>Alternativa perigosa<\/h2>\n<p><strong>O crescimento do uso de motocicletas no Brasil reflete uma alternativa perigosa encontrada por quem teve o direito \u00e0 mobilidade negligenciado<\/strong>. O alerta \u00e9 do oficial t\u00e9cnico em seguran\u00e7a vi\u00e1ria e preven\u00e7\u00e3o de les\u00f5es n\u00e3o intencionais da Organiza\u00e7\u00e3o Pan-Americana da\u00a0Sa\u00fade (Opas) no Brasil Victor Pavarino e abre a s\u00e9rie<em> Rota Perigosa: brasileiros se arriscam em motos por renda e mobilidade<\/em>, em que a <strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong> discute os impactos do aumento da frota de motocicletas na seguran\u00e7a vi\u00e1ria e na sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cO que est\u00e1 acontecendo \u00e9 uma consequ\u00eancia, mas tamb\u00e9m um indicador dos problemas desse sistema de mobilidade centrado e feito \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de sua majestade, o autom\u00f3vel. Foi pensado desde os anos 1950 dessa forma e est\u00e1 entrando em colapso\u201d, critica o especialista.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Doutor em transportes pela Universidade de Bras\u00edlia, Pavarino descreve que, <strong>em cidades constru\u00eddas para carros particulares e com modais de transporte coletivo com abrang\u00eancia ou qualidade insuficiente, a moto ganha cada vez mais espa\u00e7o entre as op\u00e7\u00f5es de deslocamento.<\/strong><\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-grande_6colunas type-image atom-align-right\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><!-- scald=432661:grande_6colunas {\"additionalClasses\":\"\"} --><br \/>\n            <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/BANh2PzrSymY1eT2SldnlgP5a1s=\/463x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2025\/08\/01\/_rbr4159.jpg?itok=1i6nuGi4\" alt=\"Rio de Janeiro (RJ), 30\/07\/2025 - Motociclistas de aplicativos transitam pelas ruas do centro do Rio.  Foto: T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><br \/>\n        <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/BANh2PzrSymY1eT2SldnlgP5a1s=\/463x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2025\/08\/01\/_rbr4159.jpg?itok=1i6nuGi4\" alt=\"Rio de Janeiro (RJ), 30\/07\/2025 - Motociclistas de aplicativos transitam pelas ruas do centro do Rio.  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De certa forma, joga na nossa cara a implica\u00e7\u00e3o social, econ\u00f4mica e trabalhista que tem a quest\u00e3o do transporte.\u201d<\/p>\n<h2>Frota cada vez maior<\/h2>\n<p>A frota de motocicletas no pa\u00eds est\u00e1 em expans\u00e3o. Segundo a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), <strong>o n\u00famero de ve\u00edculos motorizados de duas rodas cresceu 42%\u00a0de 2015 a 2024, quando atingiu o patamar de 35 milh\u00f5es de unidades no pa\u00eds.<\/strong><\/p>\n<p><strong>S\u00f3 no ano passado, o n\u00famero de motos vendidas aumentou 18,6%, alcan\u00e7ando o maior patamar desde 2011<\/strong>. Para 2025, a expectativa \u00e9 de mais uma alta, de 7,7%, ultrapassando 2 milh\u00f5es de emplacamentos em um ano.<\/p>\n<p><strong>Se forem contabilizadas apenas as motocicletas, os ve\u00edculos em circula\u00e7\u00e3o no pa\u00eds eram 29 milh\u00f5es em junho de 2025, segundo a Secretaria Nacional de Tr\u00e2nsito (Senatran). Cinco anos antes, em 2020, o pa\u00eds tinha uma frota de 23,4 milh\u00f5es, o que mostra que houve um acr\u00e9scimo de quase 6 milh\u00f5es de motocicletas nas ruas brasileiras.<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cDe certa forma, o que est\u00e1 ocorrendo com a moto \u00e9 que um imenso segmento da popula\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 do Brasil, est\u00e1 recorrendo a uma possibilidade de mobilidade que lhes foi negada durante d\u00e9cadas\u201d, pondera Pavarino. \u201c\u00c9 dif\u00edcil a gente falar que n\u00e3o se pode ou n\u00e3o se deve usar motos, enquanto, em muitos casos, como em favelas, ela \u00e9 a \u00fanica forma que boa parte da popula\u00e7\u00e3o tem para chegar at\u00e9 sua casa e como ganha-p\u00e3o\u201d, contextualiza\u00a0Pavarino.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Entre as principais respostas necess\u00e1rias, <strong>o especialista em seguran\u00e7a vi\u00e1ria da Opas\u00a0defende medidas de impacto coletivo, como o fortalecimento do transporte p\u00fablico, a ado\u00e7\u00e3o de tarifa zero e o encorajamento dos deslocamentos por caminhada e bicicletas, por meio de cidades mais convidativas ao pedestre e ao ciclista.<\/strong><\/p>\n<p>Essas medidas precisam ser adotadas para que se interrompa a migra\u00e7\u00e3o dos usu\u00e1rios de transporte p\u00fablico para as modalidades de transporte individual motorizado, entre as quais a moto \u00e9 a mais arriscada.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><!-- scald=432663:cheio_8colunas {\"additionalClasses\":\"\"} --><br \/>\n            <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/RzGZBWoe7yn9HvNVZQarH_wbM8o=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2025\/08\/01\/_rbr9167.jpg?itok=_2O7vItX\" alt=\"Rio de Janeiro (RJ), 25\/06\/2025 - Motociclista trafega pela passarela de pedestres na Avenida Brasil, zona norte da cidade.  Foto: T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><br \/>\n        <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/RzGZBWoe7yn9HvNVZQarH_wbM8o=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2025\/08\/01\/_rbr9167.jpg?itok=_2O7vItX\" alt=\"Rio de Janeiro (RJ), 25\/06\/2025 - Motociclista trafega pela passarela de pedestres na Avenida Brasil, zona norte da cidade.  Foto: T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><br \/>\n    <!-- END scald=432663 --><\/div>\n<p><h6 class=\"meta\">Motociclista trafega pela passarela de pedestres na Avenida Brasil, zona norte da cidade &#8211; <strong>Foto: T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><!--END copyright=432663--><\/h6>\n<\/p>\n<\/div>\n<blockquote>\n<p>\u201cA moto tem, sim, seus problemas. \u00c9 um ve\u00edculo que \u00e9 intrinsecamente mais vulner\u00e1vel que os demais, por quest\u00f5es \u00f3bvias, porque est\u00e1 compartilhando o espa\u00e7o vi\u00e1rio com outros ve\u00edculos de massa maior e em velocidade. Em algumas situa\u00e7\u00f5es, chega a ser mais vulner\u00e1vel que o pr\u00f3prio pedestre. Mas a quest\u00e3o que a gente est\u00e1 vendo da sinistralidade com moto n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o simplesmente de tr\u00e2nsito. \u00c9 uma quest\u00e3o social, econ\u00f4mica e de trabalho, envolvendo tantas outras coisas, e que eclode no tr\u00e2nsito\u201d, aponta o especialista da Opas<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Na cerim\u00f4nia de abertura da Confer\u00eancia Nacional de Seguran\u00e7a no Tr\u00e2nsito, realizada em Bras\u00edlia nesta semana, o secret\u00e1rio nacional de Tr\u00e2nsito, Adrualdo Cat\u00e3o, avaliou que os problemas relacionados ao uso da moto se d\u00e3o principalmente em cidades m\u00e9dias que vivenciaram crescimento acelerado, sem que houvesse investimentos equivalentes em transporte coletivo. Al\u00e9m disso, <strong>em seis estados do Norte e Nordeste, as motos representam mais da metade da frota de ve\u00edculos: Piau\u00ed (55%), Par\u00e1 (54%), Maranh\u00e3o (60%), Rond\u00f4nia (51%), Acre (53%) e Cear\u00e1 (50%).<\/strong><\/p>\n<p>\u201cA gente n\u00e3o pode tratar esse tema como se fosse de mera escolha individual. O cidad\u00e3o escolhe a motocicleta porque n\u00e3o deram a ele uma alternativa segura. N\u00e3o h\u00e1 bala de prata para essa quest\u00e3o, mas, se houvesse, seria o transporte coletivo de qualidade.\u201d<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><!-- scald=432955:cheio_8colunas --><br \/>\n            <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/srM0pvdepSVPLhR6CAQgYzP6VbY=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2025\/08\/05\/rota-perigosa-v2.jpg?itok=UkRDIdo3\" alt=\"Bras\u00edlia (DF), 05\/08\/2025 - Arte rota perigosa.&#13;&#10;Arte EBC\" title=\"Arte EBC\"\/><br \/>\n        <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/srM0pvdepSVPLhR6CAQgYzP6VbY=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2025\/08\/05\/rota-perigosa-v2.jpg?itok=UkRDIdo3\" alt=\"Bras\u00edlia (DF), 05\/08\/2025 - Arte rota perigosa.&#13;&#10;Arte EBC\" title=\"Arte EBC\"\/><br \/>\n    <!-- END scald=432955 --><\/div>\n<p><h6 class=\"meta\"><strong>Arte EBC<\/strong><!--END copyright=432955--><\/h6>\n<\/p>\n<\/div>\n<h2>Ve\u00edculo mais letal<\/h2>\n<p>Juntamente com mais possibilidades de locomo\u00e7\u00e3o e trabalho para seus condutores, o aumento da frota no pa\u00eds tamb\u00e9m tem contribu\u00eddo para o n\u00famero de \u00f3bitos no tr\u00e2nsito. Segundo o Atlas da Viol\u00eancia 2025, o usu\u00e1rio da motocicleta \u00e9, atualmente, a maior v\u00edtima dos sinistros de tr\u00e2nsito no Brasil, que registra um aumento do n\u00famero de mortes desde 2020.<\/p>\n<p><strong>Em 2019, houve 31.945 v\u00edtimas do tr\u00e2nsito no Brasil, n\u00famero que aumentou nos anos seguintes at\u00e9 chegar a 34.881 em 2023. Neste mesmo per\u00edodo, o n\u00famero de v\u00edtimas de sinistros com motos subiu de 11.182 para 13.477.<\/strong><\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-grande_6colunas type-image atom-align-left\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><!-- scald=432659:grande_6colunas {\"additionalClasses\":\"\"} --><br \/>\n            <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/xMwE0BbzENJ0IKKcBozLIUg1BWY=\/463x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2025\/08\/01\/_rbr4141.jpg?itok=X2Ib1ra4\" alt=\"Rio de Janeiro (RJ), 30\/07\/2025 - Motociclistas de aplicativos transitam pelas ruas do centro do Rio.  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Al\u00e9m disso, entre as quase 3 mil mortes a mais por ano que o pa\u00eds registrou em 2023, em rela\u00e7\u00e3o a 2019, quase 2,3 mil vieram apenas desses incidentes.<\/p>\n<p><strong>Embora as motos representassem apenas cerca de 22,5% dos ve\u00edculos em circula\u00e7\u00e3o no pa\u00eds em 2023, as colis\u00f5es, quedas e atropelamentos envolvendo esses ve\u00edculos causaram 38,6% das mortes no tr\u00e2nsito naquele ano.<\/strong><\/p>\n<p>Essa mortalidade \u00e9 ainda mais presente nos estados em que a moto j\u00e1 superou o autom\u00f3vel. No Piau\u00ed, por exemplo, onde elas j\u00e1 passam dos 50%, os sinistros com motos representam quase 70% das mortes no tr\u00e2nsito.<\/p>\n<h2>Respostas imediatas<\/h2>\n<p>Ao mesmo tempo em que \u00e9 preciso incentivar o transporte p\u00fablico e enfrentar as desigualdades que aceleram o crescimento do uso de moto, os danos imediatos ligados \u00e0 sua dissemina\u00e7\u00e3o podem ser reduzidos por medidas de curto prazo.<strong> A fiscaliza\u00e7\u00e3o do cumprimento das regras de seguran\u00e7a est\u00e1 entre as principais, explica o especialista Victor Pavarino.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cA gente n\u00e3o pode deixar de dar resposta ao que est\u00e1 acontecendo agora, imediatamente. Tem gente morrendo neste momento nas pistas\u201d, afirma ele, que cita precau\u00e7\u00f5es essenciais. \u201cO uso, por exemplo, do capacete. O uso de vestimenta apropriada, a qualidade da mec\u00e2nica, os freios ABS para moto, entre outras coisas. Tudo isso vai ajudar na redu\u00e7\u00e3o de danos.\u201d<\/p>\n<p>O leque de medidas sugeridas pela Opas, com evid\u00eancias j\u00e1 observadas, inclui\u00a0tamb\u00e9m a obrigatoriedade do uso de luzes de circula\u00e7\u00e3o diurna, a garantia de pavimentos de qualidade nas vias, o uso de roupas refletoras de luz, as inspe\u00e7\u00f5es peri\u00f3dicas nos ve\u00edculos e a redu\u00e7\u00e3o dos limites de velocidade nas cidades.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-grande_6colunas type-image atom-align-right\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><!-- scald=432691:grande_6colunas {\"additionalClasses\":\"\"} --><br \/>\n            <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/1pL3DK-e1uXGhTk11WhfQVz88-A=\/463x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2025\/08\/01\/ws_seguracatransito_fotokarinazambranaopasoms_63.jpg?itok=OPFAGomd\" alt=\"Bras\u00edlia (DF), 25\/06\/2025 - Oficial t\u00e9cnico em seguran\u00e7a vi\u00e1ria e preven\u00e7\u00e3o de les\u00f5es n\u00e3o-intencionais da Organiza\u00e7\u00e3o Pan-Americana de Sa\u00fade (Opas) no Brasil Victor Pavarino. Foto: Karina Zambrana\/OPAS\/OMS\" title=\"Karina Zambrana\/OPAS\/OMS\"\/><br \/>\n        <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/1pL3DK-e1uXGhTk11WhfQVz88-A=\/463x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2025\/08\/01\/ws_seguracatransito_fotokarinazambranaopasoms_63.jpg?itok=OPFAGomd\" alt=\"Bras\u00edlia (DF), 25\/06\/2025 - Oficial t\u00e9cnico em seguran\u00e7a vi\u00e1ria e preven\u00e7\u00e3o de les\u00f5es n\u00e3o-intencionais da Organiza\u00e7\u00e3o Pan-Americana de Sa\u00fade (Opas) no Brasil Victor Pavarino. Foto: Karina Zambrana\/OPAS\/OMS\" title=\"Karina Zambrana\/OPAS\/OMS\"\/><br \/>\n    <!-- END scald=432691 --><\/div>\n<p><h6 class=\"meta\">Especialista em seguran\u00e7a vi\u00e1ria da Opas Victor Pavarino &#8211;\u00a0<strong>Foto: Karina Zambrana\/Opas\/OMS<\/strong><!--END copyright=432691--><\/h6>\n<\/p>\n<\/div>\n<p>Nesse cen\u00e1rio, <strong>o transporte de passageiros por motociclistas de aplicativos requer regulamenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas na quest\u00e3o das regras de tr\u00e2nsito, mas nos aspectos de sa\u00fade do trabalhador, defende Pavarino<\/strong>. \u201cEssas pessoas trabalham oito, 12 horas por dia, e, obviamente, na condi\u00e7\u00e3o com que elas v\u00e3o trabalhar, elas v\u00e3o ficar ainda mais vulnerabilizadas\u201d, destaca ele.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de lidar com o cansa\u00e7o e o desgaste de tantas horas no tr\u00e2nsito, esses motociclistas tamb\u00e9m precisam conduzir o ve\u00edculo, muitas vezes, levando passageiros inexperientes.<\/p>\n<p>\u201cDiferentemente de um carro, quem est\u00e1 na garupa de uma moto, de certa forma, tamb\u00e9m est\u00e1 conduzindo. Ele [o passageiro] tem tamb\u00e9m um papel em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 forma com que ele coloca o corpo dele, inclinando, para l\u00e1 e para c\u00e1, nas curvas.\u201d<\/p>\n<h2>Epidemia<\/h2>\n<p>Assim como o n\u00famero de motos e o de mortes no tr\u00e2nsito, cresce tamb\u00e9m o de pessoas atendidas nas emerg\u00eancias do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) por conta de colis\u00f5es, quedas, atropelamentos e outros sinistros sobre duas rodas.<\/p>\n<p>Segundo o ministro da Sa\u00fade, Alexandre Padilha, em m\u00e9dia, <strong>de 70% a 75% das unidades de terapia intensiva adultas, nos servi\u00e7os de urg\u00eancia dos hospitais gerais, est\u00e3o ocupadas por pacientes v\u00edtimas do tr\u00e2nsito como um todo, e a grande maioria dessas pessoas estava\u00a0usando motos.<\/strong><\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-grande_6colunas type-image atom-align-left\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><!-- scald=411283:grande_6colunas {\"additionalClasses\":\"\"} --><br \/>\n            <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/fAukgJwt3N7CWjLw6ogxQHED0YY=\/463x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2025\/01\/16\/_pin8863.jpg?itok=DzC-2FUQ\" alt=\"S\u00e3o Paulo (SP), 16\/01\/2025 - Aplicativo 99, lan\u00e7a servi\u00e7o de Moto Taxi em S\u00e3o Paulo, contrariando norma da prefeitura que pro\u00edbe o servi\u00e7o.&#13;&#10;Foto: Paulo Pinto\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"Paulo Pinto\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><br \/>\n        <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/fAukgJwt3N7CWjLw6ogxQHED0YY=\/463x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2025\/01\/16\/_pin8863.jpg?itok=DzC-2FUQ\" alt=\"S\u00e3o Paulo (SP), 16\/01\/2025 - Aplicativo 99, lan\u00e7a servi\u00e7o de Moto Taxi em S\u00e3o Paulo, contrariando norma da prefeitura que pro\u00edbe o servi\u00e7o.&#13;&#10;Foto: Paulo Pinto\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"Paulo Pinto\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><br \/>\n    <!-- END scald=411283 --><\/div>\n<p><h6 class=\"meta\"><!--copyright=411283-->Motos em circula\u00e7\u00e3o no pa\u00eds somavam 29 milh\u00f5es em junho de 2025 &#8211; <strong>Foto: Paulo Pinto\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><!--END copyright=411283--><\/h6>\n<\/p>\n<\/div>\n<p>\u201cN\u00e3o tem hospital que d\u00ea conta se a gente n\u00e3o conseguir enfrentar essa verdadeira epidemia de acidentes de moto\u201d, disse o ministro, que participou de uma cerim\u00f4nia na \u00faltima sexta-feira (1\u00ba) em que foram anunciados recursos para triplicar as cirurgias ortop\u00e9dicas no Hospital Municipal Barata Ribeiro, no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>O ministro defendeu parcerias com as empresas de aplicativo para que haja um esfor\u00e7o de preven\u00e7\u00e3o \u00e0s infra\u00e7\u00f5es de tr\u00e2nsito, como o excesso de velocidade. Al\u00e9m disso, Padilha destacou os estudos realizados pelo governo federal para reduzir os custos para a emiss\u00e3o da Carteira Nacional de Habilita\u00e7\u00e3o (CNH). Segundo a Senatran, metade das pessoas donas de motocicletas n\u00e3o tem carteira de habilita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cTudo o que a gente puder prevenir vai reduzir o custo para o Sistema \u00danico de Sa\u00fade, vai abrir mais leitos para a gente poder cuidar dos outros problemas. \u00c0s vezes, \u00e9 cancelada uma cirurgia de c\u00e2ncer que a pessoa est\u00e1 esperando h\u00e1 muito tempo, uma cirurgia cardiol\u00f3gica, porque entra na urg\u00eancia uma pessoa que foi v\u00edtima de um acidente de moto e tem que ocupar o centro cir\u00fargico, ocupar o leito de UTI. Ent\u00e3o, al\u00e9m do custo financeiro, do custo para a vida da pessoa que sofre o acidente, tem um custo para todos os hospitais, para rede, para o sistema e para outras pessoas tamb\u00e9m.\u201d<\/p>\n<p>      <!-- Relacionada --><\/p>\n<p>            <!-- Relacionada -->\n    <\/div>\n<p><a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/saude\/noticia\/2025-08\/moto-cresce-como-opcao-perigosa-para-quem-teve-mobilidade-negada\">Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No come\u00e7o de 2024, Laura Maria de Oliveira, de 59 anos, trabalhava como diarista e estava satisfeita por ter conseguido um emprego de carteira assinada como empregada dom\u00e9stica. 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